Entrevistador
: Você quer o Aécio ou a Dilma ?
Fernando
Pessoa : "NÃO: Não quero nada. Já
disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer".
Entrevistador:
Poeta, o que o senhor pensa sobre a moral na política?
Poeta: Não,
Não me falem em moral! são todos o Ideal de justiça , quando os ouça
falar. Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?
Entrevistador:
O que você pensa sobre a política econômica do governo Dilma?
Poeta: Falhou
em tudo. Como não fez propósito nenhum,
talvez tudo fosse nada.
Entrevistador:
Então, o senhor é um tucano?
Poeta: Não
sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Entrevistador
: E no futuro, o senhor pensa em apoiar
...
Poeta (interrompendo
o entrevistador) : Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que
penso? Mas penso tanta coisa!
Entrevistador:
O que o senhor pensa sobre a corrupção no Brasil?
Poeta: Eu
amo a maravilhosa beleza das corrupções políticas, Deliciosos escândalos
financeiros, Agressões políticas nas ruas, Como eu vos amo a todos, a
todos, A TUDO,
Como eu vos amo de todas as maneiras,
Entrevistador: e o mensalão?
Poeta: (Ah,
como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)
Entrevistador:
Como o senhor tem percebido a campanha no segundo turno?
Poeta: Notícias
desmentidas dos jornais, Artigos políticos insinceramente sinceros,
Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes — Duas colunas deles passando
para a segunda página! Os cartazes postos há pouco, molhados! Como
eu vos amo a todos, a todos, a todos,
Como eu vos amo de todas as maneiras, Com os olhos e com os ouvidos e com
o olfato
E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!) E com a
inteligência como uma antena que fazeis vibrar! Ah, como todos os meus
sentidos têm cio de vós!
Entrevistador:
O que o senhor pensa dos eleitores no Brasil?
Poeta: é
uma gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma, Que emprega
palavrões como palavras usuais, Cujos filhos roubam às portas das
mercearias... A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão. Maravilhosa gente
humana que vive como os cães, Que está abaixo de todos os sistemas
morais,
Para quem nenhuma religião foi feita, Nenhuma arte criada, Nem
imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus, Inatingíveis por todos
os progressos, Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!
Entrevistador
: qual a mensagem você gostaria de dar a nossos leitores?
Poeta: Não
me macem, por amor de Deus! Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero
estar sozinho!