sexta-feira, 25 de julho de 2014

Padrões Linguísticos e as Representações De Dominação



Jorge Mendes Júnior

A língua é um grande instrumento de comunicação que o homem refrata as suas relações sociais. Porém, ela, por outro, lado quase sempre é imposta por grupos dominantes através da opressão dos povos desprovidos de meios bélicos. Esse fato refrata o modo como os padrões linguísticos são impostos.
A conexão do homem com a língua é inerente. Desde seu nascimento aquele vê-se imantado por esta em todas as suas relações sociais. Ele utiliza como forma expressar seus pensamentos e emoções, comunicar com seus semelhantes, entrelaçar as relações mais íntimas.
Contudo, esta mesma língua que o individuo ama não é fruto de um amor divino, é produto de relações mercantis e de poder. O comércio é a guerra sempre foram os meios em que uma língua era imposta aos outros. É evidente que a dominação representa uma forma de poder imediato e passadas gerações, esta é chamada pelo homem comum minha língua. O português, por exemplo, tornou-se oficial no Brasil, após uma opressão de quase dois século extinguindo as línguas indígenas através dos catecismos e dos negros, por meio da proibição e da separação das etnias.
Nesse momento, entretanto, faz mister responder se a partir de a criação da comunidade semiótica: o que se deve ensinar seria um padrão linguístico ou deve ensinar as pessoas comunicar-se bem? É certo que os defensores do gramaticismo defendem a identidade de um e outro, supondo que se o padrão é a língua dos grandes escritores que conseguiam descrever a linguagem em um nível complexo que abrangia a dos demais usuários. Esse ponto de vista, é bastante pretensioso. Os padrões linguísticos nada tem que ver com os grandes escritores que primavam por um entendimento e uma construção de uma identidade nacional que suplantasse as diferenças regionais. É mais coerente pensar que exista uma classe que a partir de interesses mercantis deseja implantar uma língua padrão para suplantar outras classes em seus desenlaces econômicos.
Poderíamos incentivar as diferenças, ao invés do padrão dominante , recriar paradigmas que atendessem às aspirações de cada pequena comunidade semiótica. Nas suas relações de comunicação utilizar formas que não fossem  o padrão do culto, mas que fossem disseminadas na sociedade. Um grande instrumento para a construção dessa realidade são o atlas linguísticos que descrevem a verdadeira língua, ou línguas das comunidades. 
Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que não existe um padrão linguístico que não seja produto de um longo processo de dominação cultural e que o ensino da língua que reflita a essa realidade só tem poder de consolidar e fazer avançar os ganhos materiais dos filhões desta classe dominante. Desse modo, propomos não um padrão, mas um eixo estratégico que combine reutilize os padrões socialmente aceitos na construção de ensino de gramática que priorize a competência do falante.



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