Jorge Mendes Júnior
A
língua é um grande instrumento de comunicação que o homem refrata as suas
relações sociais. Porém, ela, por outro, lado quase sempre é imposta por grupos
dominantes através da opressão dos povos desprovidos de meios bélicos. Esse
fato refrata o modo como os padrões linguísticos são impostos.
A
conexão do homem com a língua é inerente. Desde seu nascimento aquele vê-se
imantado por esta em todas as suas relações sociais. Ele utiliza como forma
expressar seus pensamentos e emoções, comunicar com seus semelhantes,
entrelaçar as relações mais íntimas.
Contudo,
esta mesma língua que o individuo ama não é fruto de um amor divino, é produto
de relações mercantis e de poder. O comércio é a guerra sempre foram os meios em
que uma língua era imposta aos outros. É evidente que a dominação representa
uma forma de poder imediato e passadas gerações, esta é chamada pelo homem
comum minha língua. O português, por
exemplo, tornou-se oficial no Brasil, após uma opressão de quase dois século
extinguindo as línguas indígenas através dos catecismos e dos negros, por meio
da proibição e da separação das etnias.
Nesse
momento, entretanto, faz mister responder se a partir de a criação da
comunidade semiótica: o que se deve ensinar seria um padrão linguístico ou deve
ensinar as pessoas comunicar-se bem? É certo que os defensores do gramaticismo defendem a identidade de um
e outro, supondo que se o padrão é a língua dos grandes escritores que conseguiam descrever a linguagem em um nível
complexo que abrangia a dos demais usuários. Esse ponto de vista, é bastante pretensioso.
Os padrões linguísticos nada tem que ver com os grandes escritores que primavam
por um entendimento e uma construção de uma identidade nacional que suplantasse
as diferenças regionais. É mais coerente pensar que exista uma classe que a
partir de interesses mercantis deseja implantar uma língua padrão para
suplantar outras classes em seus desenlaces econômicos.
Poderíamos
incentivar as diferenças, ao invés do padrão dominante , recriar paradigmas que
atendessem às aspirações de cada pequena comunidade semiótica. Nas suas
relações de comunicação utilizar formas que não fossem o padrão do culto, mas que fossem disseminadas
na sociedade. Um grande instrumento para a construção dessa realidade são o
atlas linguísticos que descrevem a verdadeira língua, ou línguas das
comunidades.
Em
virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que não existe um
padrão linguístico que não seja produto de um longo processo de dominação
cultural e que o ensino da língua que reflita a essa realidade só tem poder de
consolidar e fazer avançar os ganhos materiais dos filhões desta classe
dominante. Desse modo, propomos não um padrão, mas um eixo estratégico que
combine reutilize os padrões socialmente aceitos na construção de ensino de
gramática que priorize a competência do falante.
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