quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DA QUERELA DA CIENTIFICIDADE DA CIÊNCIA POLÍTICA


Jorge Mendes Junior[1]





1.      Noções gerais

Quão cientifica é a ciência política? Inúmeras seriam as respostas se nos deixássemos levar pelas discussões recentes, que jungem desde aqueles que creem junto aos positivistas filosóficos, para os quais a devem ser adotados na política os mesmos métodos usados na investigação do mundo físico até aos marxistas que a denunciam como uma espécie de manipulação, em seus termos, uma superestrutura.
Manuais como os de C.C Rodee ou  Paulo Bonavides, resolvem a questão de modo insatisfatório. A noção desses autores varia, mas, em suma, as suas alegações podem ser resumidas nas seguintes proposições:
(1)     A Ciência Política tem grau de cientificidade menor que o das ciências naturais;
(2)     Os métodos usados em ciências naturais não se aplicam às ciências sociais, por conseguinte não são adequados a Ciência Política.


O problema da cientificidade da ciência política é uma eviternalidade na história dos estudos científicos. Aristóteles, na Grécia, já exclama que política não poderia ter a mesma exatidão da matemática.[2] Passaram-se mais de dois mil anos e a querela do cientificismo da ciência política não obteve uma solução satisfatória.
O termo Ciência Política é oriundo do francês, Science Politique, que aparentemente foi criado por Jean Bodin, no século XVI,  que desenvolveu-a com  uma ênfase jurídica na disciplina.[3] O que justifica em que a ciência política moderna difere da antiga. Enquanto essa, na verdade filosofia política,  enfatizava quais virtudes eram necessárias ao cidadãos da Pólis, aquela prioriza as instituições.[4]
 No entanto, o termo só granjeou força posteriormente, sob a égide do positivismo. Para Voegelin[5], o positivismo era responsável pela crise em que se encontrava a ciência política no século XIX.  Pode-se resumir o positivismo cientifico na metáfora popperiana: “all clouds are clocks”[6]. Para o este filósofo, as nuvens simbolizam o comportamento anômalo e os relógios, algo que ocorre de maneira sistemática. Para uma explicitação maior da metáfora, devmos explicitar o contexto no qual o ideal positivista irupcionou.

2.      A CIÊNCIA POLÍTICA COMO UM “RELÓGIO” E SUA CRÍTICA

O pressuposto histórico da fundamentação positivista  incidiu em a Revolução Cientifica Newtoniana, que trouxe a impressão de que “fenômenos que tem a aparência de indeterminação eram vistos simplesmente ainda como mal estudados” (ALMOND; GENCO, 1977, p.490).  Sob o impacto das leis da gravitação, intelectuais como Voltaire, induziram  decerto o  esgotamento do modelo aristotélico  e a adoção do positivista. Parecia necessário  encontrar o equivalente no terreno político à lei de Newton na Física.
 Eric Voegelin analisa o fenômeno da seguinte forma:
Em primeiro lugar, o esplendido desenvolvimento das ciências naturais foi responsável (...) pela premissa segundo a qual os métodos utilizados nas ciências matematizantes do mundo exterior possuíam uma virtude inerente, razão pela qual todas as demais ciências alcançariam êxitos comparáveis se lhe seguissem o exemplo e aceitassem tais métodos como modelo (VOEGELIN, p.19).

Dessa forma, para o cientista política teuto-americano, “ciência é a busca da verdade com respeito aos vários domínios da existência.”  Por conseguinte, “ Objetos diferentes, requerem métodos diferentes” (VOEGELIN, p.19).
Nos anos vinte do século passado, outra revolução cientifica transmutou o panorama das ciências humanas: a física quântica[7]. A nova ciência trazia em se bojo conceitos como “acaso” e “indeterminação” para as ciências naturais.[8] começaria assim um novo episódio na cientificidade da ciência política.
Partindo desse pressuposto,  Karl Popper, divide os fenômenos em dois modelos que podem ser  ligeiramente resumidos em duas metáforas. Uma representando o mecanicismo newtoniano,  já explicitada acima e a outra o status atual da ciência política: “all clocks are clouds” (ALMOND ; GENCO, p.490). Em outros termos, “existem apenas nuvens, embora nuvens em vários graus de nuvenidade” (ibidem).
Mais ainda, Popper contesta: “o indeterminismo não é suficiente (ibidem), ele admite-o apenas em decisões rápidas” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p.491).
Partindo daí, o autor da sociedade aberta e seus inimigos, descreve sobre qual tipo de fenômeno a ciência política versa: “ A solução deve explicar a liberdade, e ela deve também explicar como liberdade não é apenas como a liberdade não é apenas quase incerta ou casual, e algo como um controle restritivo e seletivo” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p. 491). Desse modo, ele define o objeto da ciência política como a ideia de controle de plástico (plastic control). Mais explicitamente: “ela consitse em ideias, decisões humanas, metas, propósitos, em constante interação com outras ideias, comportamentos humanos e o mundo físico” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p. 492).
 Popper, dessa forma, rejeita que “os modelos de explanação apropriados às ciências físicas, que não nos permite controlar com firmeza os fenômenos culturais e humanos” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p. 492).
É necessário mencionar que a solução de Popper retoma a perspectiva grega. A noção-mesma de Metaxy (ou entre), em outros termos, os fatos humanos são construídos da algo entre a natureza divina e a animal.

2.1  A revolução behaviorista e duas críticas

O behaviorismo, escola encabeçada pelo recém falecido Robert A. Dahl , tentou retomar a perspectiva cientificista contra a postura apriorista e metodologia político- historiografica de Voegelin. Para este, o próprio objeto impõe um método, não sendo este o responsável pela pertinência teórica do mesmo. Em suas palavras : “Se o método trouxe clareza essencial ao que era esperado, então era adequado; se não (...) então se revelou inadequado” (VOEGELIN, p. 20).
Segundo ALMOND e  GENKO( 1977, p. 497), esse modelo pode ser resumido em três proposições epistemológicas e preposições metodológicas tiradas do modelo empírico das ciências sociais:
(1)   Que o propósito das ciências é descobrir regularidades e , em ultima análise, leis do processo sócio-político;
(2)   Que a explicação cientifica significa subsunção dos eventos individuais sob leis cobertas; e
(3)   Que os únicos eventos cientificamente relevantes são entre os eventos no mundo são aqueles que correspondem a concepção fisicalista de conexão causal.


Segundo Frohock (apud ALMOND e  GENKO, 1977, p. 497),


 [...]                 [...]                  [...]                  [...]                  [...]                  [...]










REFERENCIAS

ALMOND, Gabriel A.; GENCO, Stephen J. Clouds, Clocks, and the Study of Politics. World Politics, Vol. 29, No. 4 (Jul., 1977),The Johns Hopkins University Press Stable. pp. 489-522   Disponível em :  <http://www.jstor.org/stable/2010037>  Accesso em : 03/01/2009 12:51.

VOEGELIN, Eric. Nova Ciência da Política.

RODEE, C.C; ANDERSON, T.J; CHRISTOL, C.Q; GREENDE, TH. Introdução A Ciência Política. Rio de janeiro: agir, 1977.




[1] Estudante do terceiro período noturno do curso de direito do IFES.
[2] Voegelin, Nova Ciência da Política. p.19.
[3] RODEE, C.C; ANDERSON, T.J; CHRISTOL, C.Q; GREENDE, TH. Introdução A Ciência Política. Rio de janeiro: agir, 1977, p. 12.
[4] David Miller. Political Philosophy :  A Very Short Introduction.
[5] ibidem
[6] Popper, k. of clouds and clocks, 210, Gabriel Almond and Stephen Genco, “Clouds, Clocks, and the Study of Politics.”p.490.
[7] Almond; Genko, 1977, p.490.
[8] , Gabriel Almond and Stephen Genco, “Clouds, Clocks, and the Study of Politics.”p.490.

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