Jorge Mendes Junior[1]
Quão
cientifica é a ciência política? Inúmeras seriam as respostas se nos
deixássemos levar pelas discussões recentes, que jungem desde aqueles que creem
junto aos positivistas filosóficos, para os quais a devem ser adotados na
política os mesmos métodos usados na investigação do mundo físico até aos
marxistas que a denunciam como uma espécie de manipulação, em seus termos, uma
superestrutura.
Manuais
como os de C.C Rodee ou Paulo Bonavides,
resolvem a questão de modo insatisfatório. A noção desses autores varia, mas,
em suma, as suas alegações podem ser resumidas nas seguintes proposições:
(1) A
Ciência Política tem grau de cientificidade menor que o das ciências naturais;
(2) Os
métodos usados em ciências naturais não se aplicam às ciências sociais, por
conseguinte não são adequados a Ciência Política.
O
problema da cientificidade da ciência política é uma eviternalidade na história
dos estudos científicos. Aristóteles, na Grécia, já exclama que política não
poderia ter a mesma exatidão da matemática.[2]
Passaram-se mais de dois mil anos e a querela do cientificismo da ciência
política não obteve uma solução satisfatória.
O
termo Ciência Política é oriundo do francês, Science Politique, que
aparentemente foi criado por Jean Bodin, no século XVI, que desenvolveu-a com uma ênfase jurídica na disciplina.[3] O
que justifica em que a ciência política moderna difere da antiga. Enquanto
essa, na verdade filosofia política,
enfatizava quais virtudes eram necessárias ao cidadãos da Pólis, aquela prioriza as instituições.[4]
No entanto, o termo só granjeou força
posteriormente, sob a égide do positivismo. Para Voegelin[5], o
positivismo era responsável pela crise em que se encontrava a ciência política
no século XIX. Pode-se resumir o
positivismo cientifico na metáfora popperiana: “all clouds are clocks”[6].
Para o este filósofo, as nuvens simbolizam o comportamento anômalo e os
relógios, algo que ocorre de maneira sistemática. Para uma explicitação maior
da metáfora, devmos explicitar o contexto no qual o ideal positivista
irupcionou.
2. A
CIÊNCIA POLÍTICA COMO UM “RELÓGIO” E SUA CRÍTICA
O
pressuposto histórico da fundamentação positivista incidiu em a Revolução Cientifica Newtoniana, que trouxe a impressão de que
“fenômenos que tem a aparência de indeterminação eram vistos simplesmente ainda
como mal estudados” (ALMOND; GENCO, 1977, p.490). Sob o impacto das leis da gravitação,
intelectuais como Voltaire, induziram
decerto o esgotamento do modelo
aristotélico e a adoção do positivista.
Parecia necessário encontrar o
equivalente no terreno político à lei de Newton na Física.
Eric Voegelin analisa o fenômeno da seguinte
forma:
Em primeiro lugar, o esplendido
desenvolvimento das ciências naturais foi responsável (...) pela premissa
segundo a qual os métodos utilizados nas ciências matematizantes do mundo
exterior possuíam uma virtude inerente, razão pela qual todas as demais
ciências alcançariam êxitos comparáveis se lhe seguissem o exemplo e aceitassem
tais métodos como modelo
(VOEGELIN, p.19).
Dessa
forma, para o cientista política teuto-americano, “ciência é a busca da verdade com respeito aos vários domínios da
existência.” Por conseguinte, “ Objetos
diferentes, requerem métodos diferentes” (VOEGELIN, p.19).
Nos
anos vinte do século passado, outra revolução cientifica transmutou o panorama
das ciências humanas: a física quântica[7]. A
nova ciência trazia em se bojo conceitos como “acaso” e “indeterminação” para
as ciências naturais.[8]
começaria assim um novo episódio na cientificidade da ciência política.
Partindo desse pressuposto, Karl Popper, divide os fenômenos em dois
modelos que podem ser ligeiramente
resumidos em duas metáforas. Uma representando o mecanicismo newtoniano, já explicitada acima e a outra o status atual da ciência política: “all
clocks are clouds” (ALMOND ; GENCO, p.490). Em outros
termos, “existem apenas nuvens, embora nuvens em vários graus de nuvenidade”
(ibidem).
Mais ainda, Popper contesta: “o indeterminismo não é
suficiente (ibidem), ele admite-o apenas em decisões rápidas” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p.491).
Partindo
daí, o autor da sociedade aberta e seus inimigos, descreve sobre qual tipo de
fenômeno a ciência política versa: “ A solução deve explicar a liberdade, e ela
deve também explicar como liberdade não é apenas como a liberdade não é apenas
quase incerta ou casual, e algo como um controle restritivo e seletivo” (POPPER
apud ALMOND; GENKO, 1977, p. 491). Desse modo, ele define o objeto da ciência
política como a ideia de controle de plástico (plastic control). Mais explicitamente: “ela consitse em ideias,
decisões humanas, metas, propósitos, em constante interação com outras ideias,
comportamentos humanos e o mundo físico” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977, p. 492).
Popper, dessa forma, rejeita que “os modelos
de explanação apropriados às ciências físicas, que não nos permite controlar
com firmeza os fenômenos culturais e humanos” (POPPER apud ALMOND; GENKO, 1977,
p. 492).
É
necessário mencionar que a solução de Popper retoma a perspectiva grega. A noção-mesma
de Metaxy (ou entre), em outros termos,
os fatos humanos são construídos da algo entre
a natureza divina e a animal.
2.1 A
revolução behaviorista e duas críticas
O
behaviorismo, escola encabeçada pelo recém falecido Robert A. Dahl , tentou
retomar a perspectiva cientificista contra a postura apriorista e metodologia político- historiografica de Voegelin. Para
este, o próprio objeto impõe um método, não sendo este o responsável pela
pertinência teórica do mesmo. Em suas palavras : “Se o método trouxe clareza
essencial ao que era esperado, então era adequado; se não (...) então se
revelou inadequado” (VOEGELIN, p. 20).
Segundo
ALMOND e GENKO( 1977, p. 497), esse
modelo pode ser resumido em três proposições epistemológicas e preposições metodológicas
tiradas do modelo empírico das ciências sociais:
(1) Que
o propósito das ciências é descobrir regularidades e , em ultima análise, leis do
processo sócio-político;
(2) Que
a explicação cientifica significa subsunção dos eventos individuais sob leis
cobertas; e
(3) Que
os únicos eventos cientificamente relevantes são entre os eventos no mundo são
aqueles que correspondem a concepção fisicalista de conexão causal.
Segundo
Frohock (apud ALMOND e GENKO, 1977, p. 497),
[...] [...] [...] [...] [...] [...]
REFERENCIAS
ALMOND, Gabriel
A.; GENCO, Stephen J. Clouds, Clocks, and
the Study of Politics. World Politics, Vol. 29, No. 4 (Jul., 1977),The
Johns Hopkins University Press Stable. pp. 489-522 Disponível em : <http://www.jstor.org/stable/2010037> Accesso em : 03/01/2009 12:51.
VOEGELIN, Eric. Nova
Ciência da Política.
RODEE, C.C;
ANDERSON, T.J; CHRISTOL, C.Q; GREENDE, TH. Introdução
A Ciência Política. Rio de janeiro: agir, 1977.
[1] Estudante do
terceiro período noturno do curso de direito do IFES.
[2] Voegelin, Nova Ciência da Política. p.19.
[3] RODEE, C.C; ANDERSON, T.J; CHRISTOL, C.Q; GREENDE,
TH. Introdução A Ciência Política. Rio de
janeiro:
agir, 1977, p. 12.
[4] David Miller. Political
Philosophy : A Very Short
Introduction.
[5] ibidem
[6] Popper, k. of clouds and clocks, 210, Gabriel Almond and Stephen Genco, “Clouds, Clocks, and the Study of
Politics.”p.490.
[7] Almond; Genko, 1977, p.490.
[8] , Gabriel Almond and Stephen
Genco, “Clouds, Clocks, and the Study of Politics.”p.490.

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